Um urubu (ou um asno?) em São Januário

Caros amigos,

Há uma máxima que diz que “nunca duvides da inesgotável capacidade do Ser Humano fazer asneira”… (não é bem “asneira” a palavra original).

Screen Shot 02-19-17 at 09.41 AMO que vimos ontem em São Januário é a prova cabal que vivemos numa sociedade onde as pessoas perderam a noção de limites. Há quem diga que o Estado promove isso ao dar o exemplo de bagunça. Há quem diga que é apenas uma minoria que quer aparecer e a mídia precisa dessas notícias para “vender jornal”. O fato é que efetivamente estamos vendo as pessoas cada vez mais testando limites em busca de se promoverem, seja na mídia formal, seja nas redes sociais. Parece que hoje há uma necessidade de “ser famoso”. E aí vem a pergunta: Por que temos que ser famosos? Será mesmo que para se realizar como Ser Humano temos que nos tornar famosos? Qual o custo que teremos que pagar por isso?

Não podemos também deixar de comentar que o Estado formal de direito também tem sua parcela de culpa nessa história. “Torcedores” (*) do Flamengo mataram há poucos dias um torcedor do Botafogo e ainda feriram outros. Um certo juiz, que não entende absolutamente nada de futebol, reconhecendo a “falência do Estado”, determina que a partir de agora só teremos jogos de torcida única. Ou seja, se o próximo jogo do Cariocão for Flamengo x Vasco, como o Flamengo teve campanha melhor, teremos torcida única do Flamengo… É ou não é incentivar o “Vale Tudo”?

Screen Shot 02-19-17 at 09.42 AMO torcedor “infeliz” que teve essa imbecil ideia de fazer o que fez em São Januário acabou conseguindo se tornar famoso… Mas não pelas 100 curtidas, que não conseguiu, mas pelos 100 tapas que deve ter tomado de torcedores vascaínos mais exaltados. Teve sorte! Se fosse ao contrário, provavelmente não teria saído com vida.

O mais impressionante é que ele conseguiu, se não virar unanimidade, pelo menos teve a maioria das pessoas concluindo o mesmo sobre o que ele fez: uma imbecilidade.

Após o jogo, durante os comentários, ouvi numa rádio uma ouvinte ligar para protestar sobre o ocorrido. Ela se disse rubro-negra e afirmou que esse rapaz foi muito idiota em fazer o que fez e que teve muita sorte da torcida do Vasco ter sido muito gentil com ele… Nas redes sociais, o que não faltou foram flamenguistas protestando contra o ato. Se os próprios flamenguistas protestaram, nem preciso falar como foi entre a torcida do Vasco.

Num mundo onde estamos buscando promover a paz, pois estamos cansados de tanta violência, ver pessoas querendo se auto-promover com atos que provocam a ira das pessoas, é no mínimo uma falta de bom senso. A sociedade, como um todo, precisa discutir mais o assunto. As famílias querem ir aos estádios. Eu mesmo tenho dois filhos e quero ir aos estádios ver o Vasco jogar. Quero ver meus filhos terem o mesmo prazer que eu tive, quando da idade deles, gritando gol do Vasco! Mas como fazer isso, se o tempo todo, desde sair de casa até o retorno, temos que ficar o tempo todo sob tensão de sermos vítimas de atos de violência? Muito complicado.

Screen Shot 02-19-17 at 09.30 AMDepois do ocorrido, a “vítima” postou nas redes sociais um pedido de desculpas. Foi o mínimo que deveria fazer. De toda forma, isso não apaga o ato em si. Que o evento da tarde de ontem seja um exemplo a ser lembrado de que futebol é diversão apenas, e não um meio de se tornar celebridade a qualquer preço.

E agradeça a Deus ter saído de lá com vida, meu rapaz! Nos tempos atuais, fazer o que você fez não é somente uma temeridade: é loucura.

Saudações Vascaínas a todos!

(*) Não posso acreditar que torcedor de verdade vá a uma estádio para brigar e até mesmo matar! Por isso é que coloco essas pessoas de “torcedores” entre aspas. Na verdade são marginais que apenas escolhem uma torcida para colocar para fora sua brutalidade e falta de humanidade. Temos que saber distinguir esses marginas dos verdadeiros torcedores e parar de chamar eles do que de não são de fato. Torcedor é uma coisa. Marginal é outra.

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About the Author

André Pedro
André Pedro
André Pedro é sócio remido do Vasco da Gama com mais de 30 anos de clube, e também fundador e editor responsável do portal webvasco.com. Sua formação é na área de informática e comanda a empresa Digital Solutions, especializada em soluções de internet.

2 Comments on "Um urubu (ou um asno?) em São Januário"

  1. Janaína Domequis | 19 de Fevereiro de 2017 at 10:53 |

    Seu texto foi sensacional! Resume o que nós, torcedores “comuns” sentimos na tarde de ontem. Esse rapaz foi ao extremo da imbecilidade, cometeu um ato de loucura e, desta forma, provoca ainda mais a ira daqueles que se dizem “torcedores”.

  2. Muito né abordado o tema, o futebol precisa ser respeitado, evos dirigentes Tamara medidas duras para que milhões de torcedores tenham paz e segurança para ir e vir dos estádios, para que não seja o fim do futebol

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