Classificou, mas…

…não foi bem como o torcedor vascaíno gostaria que!

Aliás, passou LONGE de agradar não só ao vascaíno, mas a quem aprecia o bom futebol! Digamos, como que a uma distância proporcional ao do asteroide que alguém disse que poderia atingir a Terra, no último dia 16 de fevereiro! 

É bem verdade que o Vasco somente começou a remontar seu time a partir do sacode perante o Fluminense, logo na estreia do campeonato estadual. Aliás, digo-lhes com muita sinceridade que nunca uma derrota foi tão benéfica a um clube como aquela presenciada por nós! Talvez não fosse a "lição pedagógica da bola" dada naquele dia pelo tricolor das Laranjeiras, continuaríamos a escutar uma série de bravatas de nosso Presidente, de seus apoiadores e de outros mais querendo nos convencer que aquele time, até então formado, seria suficiente. Talvez pudéssemos vencer o campeonato carioca (vencemos por duas vezes anteriores com times do mesmo naipe ou ainda pior, como foi o de 2015), seríamos autoenganados mais uma vez, entraríamos no Brasileirão que é o que nos interessa de fato com o mesmo time, em dez rodadas estaríamos tal como estávamos no próprio ano de 2015, depois começaria a correria para remontar tudo e tentar evitar (mais uma) queda. Este roteiro nós, vascaínos, conhecemos faz tempo e, concordamos, não é nada digno para nós e nossa marca…

Entretanto, por mais que se deseje compreender a dificuldade de se reinventar ao meio de uma competição, há coisas que não dá pra aceitar. Com alguns reforços já em campo, ou se ainda não estivessem, atuações pífias como as do primeiro tempo de ontem e a do jogo contra o "poderoso" Volta Redonda que, em menos de uma semana foi "sacudido" por Cruzeiro e pelo time reserva do Fluminense, são dignos de sérios questionamentos. E quem responde por eles, em campo, é o técnico Cristóvão Borges. Por mais que se queira lhe dar um crédito de confiança – e creio que tenha de ser dado, mesmo, ao menos por agora – o Vasco com ele não conseguiu, ainda, mostrar uma "cara". Mesmo que feia, com pouquíssima eficiência e dose a mais de eficácia (pois no fundo, o que importa mesmo é vencer os jogos), mas nem isso o Vasco mostrou neste mais de um mês com o leme às suas mãos.

E vejam bem, para deixar ainda mais claro aos senhores: não estou aqui exigindo que o time do Vasco se transforme em uma máquina do dia para a noite; que envolva os adversários e que dê espetáculo. O que estou exigindo, na condição de torcedor sócio-geral do clube, é que o Vasco tenha um jeito de jogar, que ao entrar em campo, a torcida já identifique no time uma jogada, uma postura que nos mostre que algo de bom está em andamento, sendo produzido. Repito: já vi times do Vasco com menos material humano se mostrar em campo com melhor armação tática e, pasmem, na mão de treinadores questionados pela torcida, como é o caso de Cristóvão no Vasco. 

A real situação do time do Vasco hoje é: sofre pra vencer a fraquíssima Portuguesa da Ilha do Governador! Alguns irão enumerar uma "série" (?) de gols perdidos pelo time no segundo tempo. Mais uma vez de forma bem sincera, gostaria de ter enxergado esta série de chances perdidas, mas ainda que muitos a tenham enxergado: as chances que me veem na cabeça perdidas foram muito mais oriundas de uma labuta individual da técnica de alguns jogadores do que, propriamente, pelo trabalho coletivo construído ao longo de semanas de trabalho.

O que nos dá esperanças são, de fato, os elementos que estão chegando e que ainda deverão se entrosar com o tempo para comporem, juntos, um time competitivo. Tempo será dado a Cristóvão, não tenho dúvidas disso. No entanto, ao longo de seu trabalho ele deverá contar, em condições normais, com seis jogadores de importância inquestionável: Martín Silva para o gol; Luan para a defesa; Douglas, Nenê e Kelvin para o meio campo; e Luís Fabiano que estará chegando para o ataque. Além de outros nomes de bom valor, como Gilberto, Rodrigo, Henrique, Jean, Bruno Paulista, Wágner, Guilherme Costa por exemplo.

Boa parte dos técnicos no Brasil gostariam de ter alguns ou muitos destes em seus times: Cristóvão terá. Poderá não ter a paciência merecida (?) por parte da torcida, mas terá por parte da diretoria, nisso eu tenho quase certeza e que, no fim, é o que realmente importa. Terá toda uma Taça Rio para construir um trabalho que renda um time com vias às decisões de Taça Rio, possivelmente do campeonato estadual e do Brasileiro também. Se eu pudesse falar diretamente com Cristóvão, lhe diria somente: "faça o básico"! Não queira inventar volantes de forma a sacrificar jovens promissores como Evander. Vamos esperar e ver o que irá acontecer…

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Uma coisa, no entanto, não pode de forma alguma passar em branco nesse imbróglio todo desta formação deste time do Vasco: o péssimo planejamento traçado pela direção do clube neste começo de ano.

O Vasco foi disputar um torneio que absolutamente nada valia nos States. Perdeu a chance de melhor preparar fisicamente seu elenco. Hoje, inegavelmente, o time é o que tem o pior preparo físico de todos os grandes do Rio de Janeiro. 

Apostou-se numa base não tão qualificada e envelhecida oriunda de um segundo semestre pra lá de sofrível, ainda que disputando uma segunda divisão fraquíssima. Alguns veteranos dispensados do elenco principal e sem ningúém chegando para compor suas posições. Resultado: um plantel sem volantes, e sem atacantes de qualidade, tal como já não tinha mesmo, no caso desta última posição citada. E assim, iriámos por algum tempo, não fosse o Fluminense mostrar o óbvio a todos naquela tarde com aquele mal necessário resultado gerado.

Por fim, somente agora consegue se enxergar um plantel se construindo, ao passo que os demais já possuem os seus devidamente formados. Enfim, se Cristóvão tem toda a responsabilidade com o rendimento do time em campo, fora dele a responsabilidade é das pessoas que (não) planejaram este início de ano do clube. Pontue-se e cobre-se, portanto, de seus responsáveis por suas responsabilidades delegadas.

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Vasco pegará um Flamengo embalado, mais encorpado, com melhor time e jogando pelo empate pelas semifinais da Taça Guanabara. A ÚNICA razão que nos leva a crer que algo de diferente de uma eliminação possa acontecer no próximo sábado de carnaval (aliás, "palmas" em modo irônico para quem marca e para os que consentem a realização de um clássico com esta magnitude em um dia como este) é o retrospecto que pesa contra o adversário perante as últimas semifinais, competições eliminatórias e últimos confrontos diretos. Como a esperança é a última que morre, apegamo-nos à própria…

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Postei em uma rede social que não tenho mais tanta vontade e tanto tempo disponível em escrever sobre Vasco. Portanto, minhas aparições pelo blog são esporádicas, e não por puro oportunismo e / ou não querer "dar a cara" em tempos difíceis. Ainda assim, o lado torcedor se aflora e, no fundo em especial, eu quero é realmente estar enganado em muito do que comento e escrevo em certas horas.

Twitter: @mscmariotti

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Cristiano Mariotti
Cristiano Mariotti
Mestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adoto São Januário como meu segundo lar e levo a cruz-de-malta em meu peito desde que eu nasci.