Onde estamos errando?

Olá a todos!

E depois de um período de afastamento, retorno ao blog em um momento totalmente avesso à última vez que aqui postei!

E nem faz tanto tempo assim que publiquei meu último texto nesse mesmo site, em que por motivos pessoais e, principalmente, profissionais fui obrigado a passar por mais este período sabático em relação a escrever e debater em prosa sobre nosso Vasco, foco muitas vez (ou quase sempre) de alegrias e desânimos para com o mundo futebolístico, de uma forma geral!

E confesso-lhes, já era para ter postado algo na terça-feira cheguei, inclusive, a comentar em meu peril oficial no Twitter que estaria "subindo" um novo texto em tal dia! No entanto, esperei um pouco, procurei observar e analisar o resultado do jogo de terça, entre Vasco e Vila Nova, e…confesso-lhes que preciso, tenho realmente uma enorme necessidade nesse momento de expor alguns pensamentos meus!  Certos ou não, mas que gostaria de trazer para debate e repercussão aos interessados…

O fato é que atravessamos, inegavelmente, nosso pior momento nesse ano! Diria até bem mais: nosso pior momento desde a goleada sofrida por nós (e que, na próxima sexta-feira, já irá fazer aniversário de um ano!), de forma humilhante perante o Internacional ano passado. Aquele jogo nos trouxe à tona toda vergonha e derradeiro sentimento de pequenez que um torcedor é capaz de passar pelo seu clube amado! Mas também nos trouxe um senso de ridículo providencial, em que a partir daí vimos uma mudança de atitude por parte daquele mesmo elenco goleado, tanto que alavancamos uma campanha de recuperação naquele mesmo certame brasileiro e que, por muito pouco não culminou com a fuga em nossa já concebida queda (terceira). Não cabe aqui voltarmos a enumerar as razões que travaram essa façanha, e sim, a exaltar que, desde então, não passávamos por uma sequência de resultados tão ruim, tal como agora…

Mas, então, o que aconteceu?! Esse mesmo grupo que quase se reergueu das cinzas foi (bi) campeão (hexa invicto) do carioca em 2016, ficou 34 jogos sem perder um único jogo, mais de sete meses invicto, chegou a liderar com extrema folga à famigerada Série B e nos deu muitas experanças de partir forte para a conquista da Copa do Brasil. Só que, como num mesmo passe de mágica que fez o grupo chegar a ousar romper o recorde de jogos invictos pertencentes ao Expresso da Vitória, o futebol sumiu! Qual é a diferença, então, se o grupo é praticamente o mesmo, comissão técnica inclusive?! E ainda contando com a valência de jogar contra adversários mais inexpressivos do que outrora?!

Duas teses

Leio muito as redes sociais e constato, claramente, que existe uma corrente da torcida vascaína que defende que esse grupo nunca jogou tanto assim, e que muitas das vitórias foi pura ilusão, pois ao meio dessas o Vasco fez partidas horriveis, e que somente agora está chegando um choque de realidade sobre o que, verdadeiramente, esse grupo representa e produz em campo. 

Assim como leio outras pessoas de outra corrente que defende a tese do desgaste e do relaxamento, e até um pouco mesmo de desdém e de desânimo por parte desse mesmo grupo que, findado o campeonato carioca com o título, se vê obrigado a jogar inúmeras vezes contra adversários de naipes bem inferiores, tanto em termos de time como de marca. Aliado a uma sequência desumana de jogos para um grupo de jogadores cuja média de idade é elevada para os padrões correria e alta competitividade de hoje.

Eu, como todos sabem, defendi esse grupo de jogadores em meus textos anteriores, e atribui aos mesmos os méritos de terem tomado vergonha e terem, a partir do momento ápice da humilhação que foi na goleada perante o Internacional em setembro de 2015, emplacado uma campanha de recuperação que, daquele momento em diante, só não culminou com êxito muito por conta de arbitragens muito suspeitas em jogos-chaves como foram contra Cruzeiro, Chapecoense e Avaí, por exemplo. Enxergo no mesmo jogadores de qualidade que jogariam tranquilamente em outros clubes de ponta no Brasil, como Nenê, Andrezinho, Luan e Martín Silva, por exemplo. Portanto, não cabe a mim mudar radicalmente de postura e ir na contramão do que ainda penso a respeito desse assunto. Penso que o grupo do Vasco é envelhecido, sim, precisa de mudanças providenciais, mas que ainda assim poderia estar jogando muito mais do que vem apresentando, em especial, há pelo menos uns quinze jogos.

E nesse momento, enxergo um grupo sem foco e um técnico sem comando. Ao que parece para mim, depois que o campeonato carioca terminou e o título foi conquistado, o foco passou a ser se manter invicto por mais tempo possível. E depois que a invencibilidade acabou e durante esse hiato de retomada de campanha na Copa do Brasil, com o time em primeiro lugar isolado na Série B, parece que faltou um atrativo para que esse grupo de jogadores pudesse ir atrás, deixando em segundo plano o fato de "trafegar" ao meio de campos e arbitragens horrorosas, contra times horrorosos que constituem esse calvário que é a segunda divisão. Fatou um objetivo maior, e ainda falta. Alie-se essa falta de maior objetivo e, consequentemente, de maior entusiasmo ao desgaste físico e comportamental de um grupo, em especial, de um onze prinicipal que precisa URGENTE ser mexido, haja visto que enxergo, agora, muito jogador na zona de conforto, ganhando posição pelo nome, e não pelo que vem apresentando.

E é nesse momento que coloco a maior parcela de responsabilidade a Jorginho. O mesmo técnico que, após o maior de nossos vexames ano passado, teve coragem de mexer no time, afastar alguns jogadores que mais nada rendiam, e que agora precisa, mais uma vez cravando de forma URGENTE, fazer uma nova bateria de mudanças, tais como já disse, o próprio foi capaz de fazer. Há jogadores que jogam NADA faz tempo e que Jorginho insiste em contar com eles, como Júlio César, Diguinho e Jorge Henrique por exemplo, e outros jovens que entram constantemente bem no time e que pedem passagem, como Henrique, Caio Monteiro, e a mais grata revelação muito recém surgida e que merece o máximo de zelo e cautela para não queimá-lo, Douglas Luiz.

Além disso, Jorginho deve se convencer que retornou ao cenário brasileiro de visibilidade no futebol faz somente um ano, e que o próprio passa LONGE de ser considerado um Pep Guardiola, ou até mesmo um Tite ou Cuca, técnicos de MUITO mais rodagem e experiência no futebol para com times e clubes de expressão, ganhando títulos e revelando jogadores. Portanto, não cabe a ele inventar o que não deve: aliás, se eu pessoalmemte pudesse lhe dar um conselho de amigo, lhe diria: faça o simples! Não invente em terminar um jogo com 4 laterais, 2 volantes, 3 atacantes e sem meias de criação tal como foi ontem o jogo diante do Vila Nova!

Independentemente da escalação, algumas convicções parece que todos nós possuímos: o time deve ser mexido, rejuvenescido, jogadores como os próprios sempre utilizados Éder Luís e Leandrão não dão mais pro gasto e só são capazes de provocarem "gastura" em nós que, ainda sempre que possível, cismamos em acompanhar os jogos desse grupo na segunda divisão.

Portanto, Jorginho, vá em frente: tenha a mesma coragem do ano passado! Ponha pra fora aqieles que nada mais rendem, e deixem os jovens promissores que estão com gás e merecendo novas oportunidades assumirem isso. Pois, no pior caso, mesmo que não dê certo (acho que dará, se assim fizer!), você estará contando com o apoio da grande maioria de nossa torcida que assim pensa e anseia, bem como estará prestando um grande favor ao clube, ao permitir a visibilidade de muitos desses jovens formados em cenário nacional e contra times que permitem-nos a esse tipo de teste.

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Alguns toques finais:

– Não creio sobre alguma suposta briga entre Jorginho e Nenê. Esse, inclusive, já gravou um vídeo na própria segunda-feira rechaçando qualquer hipótese a respeito de (falta de) interesse em atuar, mesmo após sua substituição diante do Santos, na quarta-feira passada;

– O fator de motivação que esse grupo precisa ter, agora, é garantir o mais antecipadamente possível a pontuação necessária para o retorno à Série A. Quem sabe, com uma campanha em pontos melhor do que a realizada em 2009, quando na B estivemos pela primeira vez;

– Vasco faz campanha de Z4 no returno, e só isso já é motivo de alerta para todos nós. Esse argumento apenas reforça a necessidade das mudanças providenciais suegridas nesse texto;

– Não comemoro de maneira efusiva e como se fosse final de campeonato gol contra Santos nos acréscimos depois de ter tomado TRÊS e levado um "baile" da equipe alvinegra praiana durante o jogo todo.  Aliás, voltamos pro Rio perdendo de 3 vs 1, e a tirar o desempenho do atacante santista e de nossa defesa nos últimos tempos, dificilmente o Santos deixará de fazer gol em São Januário, infelizmente. No entanto, esse é mais um daqueles casos em que conta a série que "a esperança é a última que morre", e portanto, NADA está decidido ainda quanto à essa vaga na pŕoxima fase. Torçamos MUITO "à espera de um milagre"…

@mscmariotti

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About the Author

Cristiano Mariotti
Cristiano Mariotti
Mestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adoto São Januário como meu segundo lar e levo a cruz-de-malta em meu peito desde que eu nasci.