ELAS & O PROFESSOR
POR LUIZ CARLOS ROCHA
A entrevista de fevereiro de 2026, com Brunna Xavier Pereira é dedicada a mais bela de todas as vascaínas, cuja qual é toda a minha fonte de inspiração poética e toda a minha razão de viver, minha filha Úrsulla Rocha.
BRUNNA, estudante de Licenciatura em História, solteira, 22 anos, de religião não citada, do signo de Virgem, moradora do bairro Vila Iara, em São Gonçalo/RJ. Nas horas vagas, a futura professora de história gosta de ler, assistir filmes, ir a shows, conhecer lugares novos pelo Estado do Rio de Janeiro e encontrar os amigos. Sua Escola de Samba do coração é a Estação Primeira de Mangueira. Quando ao prato predileto ela se rende aos encantos do Poke, que para quem não conhece essa delícia consiste em peixe cru, acompanhado do tradicional arroz, frutas e algas (pode ser encontrado nos mais tradicionais restaurantes da culinária japonesa).
O que você atribui a perda do título da Copa do Brasil 2025 para o Corinthians?
Atribuo a perda às falhas técnicas, especialmente da zaga e do goleiro. Porém, acredito que o fator principal foi a fragilidade psicológica da equipe devido à pressão de uma final. O Vasco está há alguns anos sem conquistar títulos expressivos, o que aumentou o nervosismo. Acredito que não havia uma disparidade técnica entre os times, mas a responsabilidade de dar esse título à torcida pesou.
A culpa foi do Fernando Diniz?
Acredito que ele não tenha sido o principal culpado, já que os jogadores atuaram abaixo do esperado.
Diniz (Fernando) também é o culpado pelas saídas dos jogadores Pablo Vegetti e Philippe Coutinho?
No caso de Vegetti, a culpa recai em parte sobre o Diniz pela falta de flexibilidade tática em utilizar um “camisa 9” clássico, tentando encaixá-lo em funções nas quais ele não se adequava. Já sobre Coutinho, Diniz não é culpado. O jogador não rendeu o esperado e não soube lidar com a pressão e as críticas da torcida, apesar de ter sido muito abraçado inicialmente.
Pesquisas (Globo Esporte) apontam que com a saída dos craques Rayan, Pablo Vegetti e Philippe Coutinho o Vasco da Gama perdeu 60% dos seus gols feitos em 2025. Com isso o poder de fogo do time acabou?
O time que a gente conhecia acabou. Porém, isso não reduz o futuro do Vasco ao fracasso. É necessária uma reformulação do time, principalmente no setor de ataque.
Dizem por aí que o Gigante da Colina têm história (a mais bela do Brasil), por ser um clube popular, e seu rival, o Povo do Gueto, cuja as cores são vermelho e preto, têm apenas estória, por ser meramente populista. Você concorda?
Eu não concordo, pois, como estudante de História, não posso simplificar a história de um time, devendo levar em consideração sua complexidade, seus momentos marcantes e os diversos fatores que levaram à construção de sua torcida.
São Gonçalo é uma cidade de muitos vascaínos, mas o que te levou a torcer pelo clube?
O que me levou a torcer pelo Vasco foi meu pai, e a influência dessa parte da minha família, que é majoritariamente vascaína. Fui levada algumas vezes a São Januário e ao Maracanã quando criança e, ao longo do tempo, à medida que me aprofundei ainda mais na história inclusiva do Vasco, minha admiração só cresceu.
Coutinho é melhor do que Arrascaeta?
Infelizmente, ele não se mostrou como tal. Porém, o que leva ao sucesso de um bom jogador também são seus companheiros de equipe e a sua administração. O auge do Coutinho talvez seja maior do que o do Arrascaeta, porém, este teve um sucesso mais constante.
Qual a sua expectativa para a temporada 2026?
Espero que o Vasco brigue por uma vaga em um campeonato internacional, enquanto se reestrutura para entrar na briga por grandes títulos.
O presidente Pedrinho com seu carisma tem colocado o Cruzmaltino mais em evidência na mídia, uma vez que personagens de novela e até mesmo recentemente a Barreira era cenário de novela?
Sim, ele é responsável em parte. Mas personagens da geração Z, como Casimiro, também ajudaram a recuperar a boa imagem e o amor que o time merece.
O Vasco só voltará aos dias de glória de fato quando a Turma da Leila Pereira assumir o comando?
Faz-se necessária ao Vasco uma injeção de investimentos para sua recuperação. Porém, acredito que não exista um único caminho para alcançar esse objetivo. Sou completamente contra empresas terem porcentagem majoritária no clube, pois isso retira seu caráter popular, tornando-o uma mera mercadoria. No sistema atual do futebol brasileiro, entretanto, muitos times precisam de investimentos externos. O Vasco da Gama, devido à sua magnitude e às grandes personalidades históricas que o apoiam, não necessariamente precisa virar SAF, pois tem grande torcida e engajamento. Ou seja, se o Vasco se tornar um centro de patrocínio interessante, a recuperação será feita de forma mais sólida e coerente.
Na gestão do executivo Pedro Paulo de Oliveira os patrocinadores injetaram um aporte financeiro maior, a troca de material esportivo por uma marca mais consolidada, conversas com a BYD para um patrocínio master bem considerável em termos de valores (um dos maiores do país), mas ainda faltam os títulos. Porque ainda não vieram?
Toda reformulação passa por etapas. O Vasco precisa primeiro reorganizar suas finanças para depois reformular seu elenco, para que o resultado venha em campo.
Você conhece bem todas as histórias do Vasco?
Conheço boa parte delas, pois, no curso de História, tive o privilégio de ter aula com os professores Renato Coutinho e Lívia Magalhães, dois historiadores que trabalham com a história do futebol. Também tive a oportunidade de fazer uma visita guiada ao estádio do Vasco, organizada pela professora vascaína, conhecendo áreas como o museu e seus arquivos. Dessa forma, minha admiração por sua história cresceu ainda mais.
FOTOGRAFIAS FORNECIDAS PELA ENTREVISTADA.






