A hora de virar a página

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Não há o que negar que o término da semana para o Vasco só não foi pior porque, ao menos, o time não perdeu no jogo de estreia na famigerada Série B, local onde JAMAIS imaginei um dia que veria o Vasco, tampouco JAMAIS imaginaria que tal pesadelo se repetiria algum dia. Mas se repetiu, então agora o jeito é encarar essa LONGA jornada de trinta e oito rodadas, uma verdadeira procissão que, tal como em 2009, parecia que nunca teria fim.

E por que eu escrevi “só não foi pior”? Motivos não faltaram: perda do título para nosso arquirrival nas condições que vimos, na base de “ROUBADO É MAIS GOSTOSO” segundo o goleiro arquirrival; atuação abaixo da média e sofrível perante um fraquíssimo Resende três dias depois, mas dando o devido desconto do furto traumático do título no jogo anterior; ERRO grosseiro de arbitragem, mais uma vez, nesse mesmo jogo e que depois foi compensado com um pênalti (claro, para mim, o puxão sobre Reginaldo) que MUITOS mecanismos de mídia o trataram como inexistente aos seus bels prazeres; nesse mesmo jogo o grave problema de saúde com Éverton Costa que o afastará por bom tempo dos gramados; e por fim, a estreia da forma que foi perante o América-MG.

Sobre isso, há estreias e estreias. Há cinco anos, a casa estava cheia perante o Brasiliense. A torcida estava apoiando, cantou o tempo todo, compreendeu que aquele período seria passageiro e que não havia dúvidas, naquele contexto, que se tratava de um período de reconstrução, onde a certeza do êxito estampava ao olhar de todos. A queda havia sido justa um ano anterior e, portanto, nada melhor do que voltar no campo, de forma incontestável.

No sábado, não.  Estádio vazio em virtude de uma INJUSTA punição de portões fechados imposta pelo STJD; cânticos de alguns poucos somente do lado de fora do estádio, com direito à queima de rojões por parte do mesmo grupo abnegado; não há a mesma certeza de que a subida seja tão garantida assim (e a julgar pelo futebol praticado no sábado, tal dúvida é perfeitamente justificável); tampouco há a certeza de um cenário de reconstrução. Ao contrário da ocasião de cinco anos, o começo de mandato de Roberto e companhia nos trazia boas esperanças por dias melhores. No último sábado, o isolamento do mesmo Presidente, abandonado por quem lhe deu apoio um dia (e de forma justa, por culpa também sua), assistindo ao jogo sozinho no esvaziado São Januário foi o retrato fidedigno do que virou o Vasco, hoje.

Para completar, a queda justa pelo que fez sua administração em 2013, porém injusta no contexto final do campeonato. Vale a lembrança de que o Vasco foi VÍTIMA da falta de policiamento para se conduzir uma partida de futebol em oito de dezembro do ano passado. O clube não soube proceder como deveria, e tal negligência se perpetuou quando no ato de sua tentativa de defesa, em que o foco atacado deveria ser os mandantes da partida e o próprio árbitro do jogo. Que se feito pressão sobre o mesmo, poder-se-ia configurar crime de coação ao mesmo para que a partida recomeçasse, e com isso a vitória no tribunal viria, tal como nas ocasiões da decisão da Libertadores Santos vs Peñarol em 1962, e nas quartas-de-final Atlético Nacional de Medellín e o próprio Vasco, em 1990, em que ambas as partidas (por força da mão do juiz sobre a súmula) foram anuladas.

Por tudo isso explanado e algo mais que desconfiamos de podre que possa existir nos bastidores de nosso futebol, NÃO CONCORDO com o Vasco nessa Série B, NÃO ACEITO, apesar de NÃO LARGAR a nau. Contudo e de forma bem compreensível, sem o mesmo entusiasmo, sem o mesmo olhar no qual tivera quando em nossa primeira passagem por lá.

E sob um olhar crítico ainda maior, pois tal conforme escrevera outrora, providências hão de serem tomadas para que a volta possa ser tranquila, ainda que não conceba  a hipótese de o Vasco não retornar ao final do ano. Providências, no entanto, devem ser tomadas. Não pense o Vasco que desfilará livre e formoso por essa competição. Primeiro, porque possuímos um time “na conta do chá” para subir. Segundo, porque o fato de ser Vasco provocará, com certeza, motivação nos adversários, que darão a vida se preciso for em campo contra nós. E daí vai o meu medo da autossuficiência, pois o fato de não ter um time que meta medo (o time, a camisa, sim) aliado à vontade dos adversários de nos vencer poderá, em caso de desdém do Vasco, nos proporcionar fortes emoções se não tomadas as precauções necessárias.

Enfim, a caminhada está somente começando. Portanto, é hora de virar a página e encararmos a mais esse desafio, tentando esquecer o passado recente e projetando o futuro com foco no retorno.

Medidas necessárias

Dando o relativo desconto das ausências de jogadores importantes para esse time – Rodrigo, Guiñazu, Pedro Ken, Éverton Costa e Edmílson, lógico que esperava bem mais do que o demonstrado. O que me deixa mais preocupado é com a falta de qualidade de seus substitutos imediatos e, principalmente, a falta de atitude que um time deveria ter.

O Vasco já passou pela B e sabe que não há “futebol-arte” algum por lá, aliás, como está difícil de encontrar (muito longe disso) nos times da série A, o que falar do patamar abaixo, então. A garra, a disposição e a atitude de querer ganhar os jogos devem prevalecer. Justamente aquilo que vimos, em especial, nessa “reta final” de campeonato carioca e que nos deu esperanças de uma passagem bem tranquila e sem sustos por essa competição. Simplesmente, no entanto, desapareceu nessa estreia. Não atribuo somente à ausência dos jogadores citados anteriormente essa falta de desejo em ter vencido, pois trata-se de condição trivial para qualquer jogador e que deve (ou deveria) ser demonstrado por quem está na suplência, no desejo de mostrar serviço.

Não gosto dessa formação covarde de três cabeças de área, ainda mais jogando em casa. Sobre isso, já critiquei a Adílson em ocasiões anteriores. O que noto em Adílson é muito mais o desejo de jogar dessa forma e, se preciso for, justificar esse desejo em supostas faltas de material humano necessário, ao invés de tentar prosseguir com a formação que mais deu certo no time, que foi com os dois falsos pontas abertos e dois cabeças de área.

Creio que esse elenco precise de mais dois ou três jogadores. Em especial, para o ataque, de onde perdemos um jogador importantíssimo (Éverton Costa) para esse esquema no qual estava dando certo, além de termos opções de cunho técnico MUITO pobres para esse setor. Bárbio, Reginaldo, definitivamente, não transmitem confiança, portanto, insistir com eles é apostar em algo que já vimos que não deu certo. Logo, colocar em risco uma vaga que parece ser bem tranquila.

Na defesa, não há o que mexer. Inegavelmente, possuímos um dos melhores setores defensivos do Brasil, e se os laterais ainda deixam a desejar, o jeito é apostar no resguardo desse setor do time e, pelo menos, em suas eficiências para garantir a retaguarda, fortalecendo ao setor ofensivo.

Tudo isso, lógico, só ganha sentido prático se acrescentado o mesmo desejo de vitória e valentia mostrado pelo grupo quando na fase final do “FFERJão” (créditos dados ao companheiro João Vítor Carvalho) de Rubinho e seus pares.

Vinte anos de saudades

Terça-feira, manhã de dezenove de abril de 1994. Acordava com a seguinte afirmação de minha mãe: “O Dener morreu!”. Minha reação imediata, de bate-pronto, foi o seguinte grito: “Não, mãe! Não!”. Ainda despertando, torcia para que aquilo tudo não passasse de um pesadelo, ou ainda, de um ledo engano de minha mãe…

Mas, infelizmente, não era! Do rádio, o repórter que cobria o dia-a-dia do Vasco na época na Rádio Globo, João Ferreira, dava a notícia em detalhes. E ainda que o Vasco viesse a ser campeão, quase um mês depois, ficou a saudade de uma joia preciosa que não somente o Vasco, mas o futebol brasileiro, perdera naquele dia. Retrato do futebol moleque, do que havia de melhor em nosso futebol, nos tempos em que não havia tanta “etiqueta” a ser seguida e, com isso, o próprio profissional era mais espontâneo, e o futebol, mais atraente para todos.

Decorridas duas décadas, lamento MUITO que o Vasco ainda seja réu em uma ação movida pela família do ex-atleta, por sinal mais uma vítima da “política do calote” promovida por quem restou da gestão Roberto e de seus pares. E contra uma família humilde, onde julgo necessitar MUITO desses proventos. Repercute, mais uma vez, de forma torpe a imagem de um clube, soberano em suas ações de defesa aos menos favorecidos, tal como a família de Dener sem seu ente querido. 

“Toques finais”

1º) Carlos Alberto na justiça contra o Vasco. Adivinhem quem é a advogada que está movendo a causa, segundo o caderno de esportes do jornal Extra de hoje? A mesma que (mal) defendeu o Vasco quando no julgamento contra o Atlético-PR ao final do ano passado e que, há uma semana, prestava ainda serviços ao clube!

2º) Todas as manifestações da diretoria do Vasco após tudo o que aconteceu na final do “FFERJão” são válidas para mostrar serviço, mesmo que de forma tardia em SEIS ANOS de gestão. E ainda que não haja “efeito prático”, tal como questionado pelo Presidente do Conselho de Beneméritos de nosso clube durante a reunião do Conselho Deliberativo na última semana, a melhor resposta que ouvi nesse mesmo vídeo gravado é o que vale, para mim: “Porrada neles!” (não no sentido da violência, e sim, no sentido de reação e defesa de nossa história, de nosso clube);

3º) Sobre essa reunião, há de se destacar a emenda aprovada por unanimidade que proíbe mais de uma reeleição à Presidência. Ainda que MUITO pouco, vejo que nessa aprovação, o Vasco avançou em algo;

4º) Parabéns a São Januário! Tal como seu dono, o estádio com mais história do mundo! Construído na época em que o Vasco era brigador de seus direitos, e sem um centavo dos bilhões de dinheiro público gastos nas obras de tantas “arenas” para uma competição de trinta dias somente!

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