Entre Lisboa e Joinville, o vácuo institucional

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Sábado à tarde, um dos poucos momentos em que estou em casa nessa minha vida corrida entre responder por meus compromissos pessoais e profissionais. Tenho, na minha frente, duas opções no mesmo horário que, para muitos milhões de pessoas, parecem ser uma verdadeira “provação divina”: a final de uma UEFA Champions League, transmitida para todo o Brasil para TV aberta e atingindo um total de mais de um bilhão de espectadores ligados nos acontecimentos pelo mundo inteiro; e mais um jogo por essa famigerada série B, entre Joinville e um time vestido de branco, preto e com uma cruz-de-malta no peito dizendo ser Vasco. Em uma verdadeira escolha entre a cruz e a espada, pergunto-lhes quais foram as suas escolhas: assistir à final do maior torneio de clubes do mundo ou assistir a esse Vasco jogar?

Conforme outrora descrito, uma verdadeira “provação divina” para aproximadamente dezesseis milhões de pessoas, número estimado de torcedores vascaínos espalhados por todo o Brasil. Para quem não é vascaíno e não entra nessa de “secar ao adversário a qualquer custo”, não teve nem o que pensar: a escolha foi assistir ao clássico madrilenho decidindo o título no belo Estádio da Luz, em Lisboa. Para nós, vascaínos, a difícil escolha entre escolher entre ver esse time do Vasco jogar e assistir à grande decisão europeia.

Confesso-lhes de coração, e mesmo sabendo das “pedras que poderão ser atiradas sobre mim” tal como Maria Madalena e a parábola bíblica, que desde o final do jogo contra o Sampaio Correia eu não tive dúvidas sobre o que escolheria assistir: à final da UEFA Champions League. Perdoem-me, mas de fato não conseguiria assistir a mais uma partida entre dois times fracos, sendo um deles (o nosso), mais uma vez mal escalado, mesmo em que pese às perdas de jogadores primordiais para dar alguma qualidade a esse plantel, tais como Martin Silva, Guinazú e Thalles.

Não é questão, para mim, ser menos vascaíno do que a quem, por exemplo, quis até mesmo pegar uma vaga na caravana com as torcidas organizadas vascaínas que se propuseram a ir para Joinville. Mas quem assim quiser considerar, tudo bem: vivemos, felizmente, em um país que ainda se permite a liberdade de expressão de certas opiniões, tais como essa. A questão é não suportar mais nem um centímetro do que passei a chamar de “Vasco fake”. Certa vez, li após uma derrota para o Olaria no certame carioca de 2010 de um ex-colunista desse sítio – João Vítor Carvalho – algo que não esqueço até hoje: no alto de sua revolta perante àquela derrota, ele fez um texto pequeno, poupando maiores falatórios, e sugeriu-nos na época: “você quer ter alguma alegria com o Vasco, ainda? www.youtube.com . Digita lá Edmundo, Romário, Brasileirão 1997, 2000, Libertadores 1998..” E por aí vai…

Sendo muito sincero, até mesmo em um grau de confissão no qual jamais gostaria de escrever-lhes, mas não vejo mais perspectiva nesse momento de o Vasco voltar àqueles bons tempos que somente o youtube.com e a sala de troféus em São Januário são capazes de registrar. Com a gestão Roberto, chance ZERO! Por consequência e motivo esse que torna, para mim, a imagem de Roberto ainda mais “manchada” para mim, por motivos que podem ser políticos ele próprio, Roberto, deve saber que em condições conscientes de uma torcida sofrida há tempos não há a menor hipótese de uma reeleição para mais três anos. E se isso viesse a acontecer, eu já começaria a desconfiar que não somente os dirigentes do clube, mas seu próprio quadro de associados que são os que elegem o Presidente, a troco de só DEUS sabe o quê, se acostumaram a pensar como pequenos, portanto, merecedores de tudo o que o Vasco está passando.

E ao observar aos nomes daqueles que, oficialmente, já se lançaram candidatos à sucessão Presidencial, concluo que se forem esses mesmos para mim, dificilmente, o atual panorama irá mudar. E nesse caso, nem em longo prazo…

A bravura contra a elite

Pelo canal concorrente à mídia “toda-poderosa” desse país, ESPN (sem querer fazer algum tipo de propaganda publicitária, apenas mostrando que existem opções melhores do que o mau jornalismo da Globo), assisti ao duelo desigual entre os dois times de Madrid. De um lado, o “galáctico” Real, poderoso, detentor de um dos lados da polarização à espanhola, o mesmo modelo que estão em processo de implantação aqui, no futebol brasileiro, em beneficio dos “queridinhos” já conhecidos por todos. De outro, o bravo Atlético, que ressurgiu das cinzas, visitou a segunda divisão espanhola faz nem tanto tempo. Ainda que o dinheiro ainda seja MUITO curto em relação ao seu rival local, reconquistou o respeito, venceu a Copa do Rei ano passado, superou a ele próprio, Real, e ao outro lado da polarização, Barcelona. Num duelo tal como “Davi e Golias”, por apenas dois minutos não presenciamos a história ser escrita da forma mais brava que lhe restava, haja vista o pouco capital de investimento que ainda possui.

Por essas razões expostas, discordo dos que propagaram, como formadores de opiniões, das maiores mídias esportivas do país de que seria “a derrota do futebol arte frente ao time que não quis jogo”. Na verdade, foi a derrota de um modelo que poderia começar a ser rompido. O futebol espanhol é a representação fidedigna da falta de competitividade e elitização que NÃO queremos em certame algum. Ainda que tenha ganho a Liga há quase dez dias, é evidente que nova vitória na Liga mais importante do planeta significaria maior força na luta contra essa discriminação entre Real Madrid e Barcelona para com os demais oponentes; e também uma atenuação e fortificação à luta daqueles que vislumbram não deixar que o futebol brasileiro, em breve, se torne campeonato de “cartas marcadas” impostas pela larga diferença de capacidade de investimento entre dois e mais dezoito clubes. Contra esse modelo desigual, o Atlético lutou com as “armas” que tinha, portanto, antes de torcer pela justiça em campo há de se observar a injustiça fora dele.

Em tempo: obviamente, em meus sonhos – a cada dia mais utópicos – que ostento de ver um Vasco, novamente, respeitado como Real e Barcelona, já me contentaria nesse momento histórico em ver o Vasco respeitado como o Atlético de Madrid. Se não é o primor de time, é bravo para brigar até a última bola, ou até que o cansaço mostrado na prorrogação o supere. É bravo ao ponto de não se intimidar perante à grandeza que o rico capital de investimento que o Real o impõem, e crer que, ainda sim, é possível, tal como quase foi. Acima de tudo, foi bravo para ressurgir das cinzas e reaparecer, em meio aos grandes, tal como grande que já foi um dia. Infelizmente, no entanto, o Vasco encontra-se institucionalmente e em termos de time, hoje, mais para Getafe do que para Atlético.

Ah, mas já iria esquecendo: mesmo entre “trancos e barrancos”, o Getafe ainda consegue ser da primeira divisão em seu país…

Notícias da Corte

No último sábado, cogitou-se pelas mídias vascaínas a respeito da possibilidade do Conselheiro Fiscal João Marcos Amorim, cujo grupo de origem é a Cruzada Vascaína e que compõe junto com o grupo Pró-Vasco a chapa “É Vasco”, ser o candidato à sucessão Presidencial de Roberto, nas próximas eleições.

Há algum tempo, escrevi um artigo intitulado “Só a profissionalização salva?”, enfatizando a necessidade de se haver a profissionalização com competência, mas também enxergar na profissionalização de toda a diretoria eleita, desde o Presidente como aos seus pares, como único caminho para que pessoas capacitadas e que tenham, ainda, sua vida pessoal a ser construída a dedicar maior parte de seu tempo usando suas competências para ajudar a reerguer o clube, devolvendo-lhe (ao Vasco) sua real condição de GIGANTE, e assim conciliar a essas duas partes de grande importância.

Sob essa visão argumento que, caso assim já fosse, poderíamos pensar, seriamente, em profissionais competentes, capacitados e mesmo que não admitindo abertamente na posição de Presidente do clube, de forma a promover uma grande reestruturação em TUDO no clube. Escrevo, especificamente nesse momento, sobre Rodrigo Caetano: para mim, o nome que seria ideal e MUITO mais confiável de apostar do que dirigentes amadores de “passados já dados no clube” ou em outros que são ou que participaram ativamente da presente gestão que reduziu o Vasco ao que estamos a ver, agora, e que hoje ou são candidatos à Presidente ou apoiam a algum, excetuando a poucos que se salvam desses desastres do que foi e do que é.

João Marcos é participante ativo de O ÚNICO poder que, de fato, funciona no clube. Conheci sua pessoa, seu caráter e sua competência quando na época em que fiz parte de um grupo político. Contudo, possui uma vida ainda a consolidar, e tenho dúvidas somente se o seu tempo disponível seria suficiente para conciliar o mais alto cargo de um clube com a necessidade de manter suas atividades profissionais. Afora esse fator, não tenho dúvidas que, se apoiado por um grupo que tenha projetos e que lhe dê respaldo, poderia ser um bom nome para sucessão, MUITO MELHOR do que àqueles que se lançaram, até então.

“Toques finais”

1º) Nesse tempo em que se espera mais que a atual fornecedora de material esportivo esteja LONGE do clube daqui a alguns meses, a mesma lança sua camisa do clube em dupla face com a da seleção brasileira. Sou capaz de crer, nesse momento histórico do país no qual vivemos, que se a mesma lançasse a dupla face da camisa do Vasco com a de Portugal, venderia MUITO mais do que a recém-lançada. Eu, próprio, seria um dos que a compraria.

2º) O lado triste dessa história é saber que, após esse lançamento, é provável que a atual fornecedora ainda fique algum tempo mais no clube. Enquanto isso, o Fluminense com a metade dos torcedores do Vasco ganhará algo em torno de DEZESSETE MILHÕES DE REAIS POR ANO da Adidas, além de ser uma marca de repercussão internacional.

3º) Como já se previa, Thalles foi para a “vitrine” com a seleção de júniores, e conforme já consta no noticiário, já há grandes clubes interessados em seus direitos federativos. Dificilmente, emplaca até final do ano no Vasco, infelizmente. É vendê-lo para fechar o “rombo” aberto e deixado pelos Michel Alves, Nei, Renato Silva, dívidas de ex-dirigentes que ofenderam deliberadamente a terceiros e quem paga, agora, é o Vasco, e por aí vai…

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