O senhor da razão e o despertar de uma ilusão!

8 min leitura

O
roteiro era o mesmo de toda sexta-feira. Perto das 18 horas, eu em meu carro,
estacionando para cumprir à minha última obrigação da semana: uma aula (mais
uma, de tantas que leciono semanalmente!) para os “concurseiros” do curso
preparatório no qual, também, trabalho.


Confesso-lhes
que não sou nada fã do programa “Globo Esportivo”, apesar de respeitar aos profissionais
que lá trabalham, dignamente e cada um com sua opinião, mesmo que em muitos
casos não sejam coincidentes com as minhas. Deixei de ser fã desse programa no
momento em que, numa jogada que parecia para diminuir muito da voz do vascaíno
que lá estava, Gilmar Ferreira é demitido da emissora e Loureiro Neto, por
motivo de doença, é obrigado a se afastar. Quem assumiu colocou em seus lugares
no mesmo horário Dé Aranha (se diz declarado torcedor do América-RJ) e Eraldo
Leite (botafoguense). Os demais componentes dessa mesa “isenta” de debates são
Sérgio Di Bocage (assumiu em lugar de Renato Maurício Prado) e Felipe Cardoso
(tricolor). Vez ou outra quando lhe dão espaço o único vascaíno que “pinta
nessa área” é Rafael Marques, mas não é sempre.


Enfim,
escutei durante o trajeto inteiro da viagem uma rádio musical até que, ao
estacionar, resolvi trocar de rádio e escutar os principais assuntos que
estavam sendo debatidos. Para minha surpresa, o tema debatido era sobre o
Vasco, e para minha surpresa ainda maior, a discussão gerada era sobre as
eleições vascaínas. O debate se polarizava em torno da possível extensão de
mandato do Presidente Roberto, tratado como “golpe” por parte de Luíz Penido e
cujos componentes da mesa de debates, dentre eles Eraldo Leite, pareciam de
certa forma concordar com sua colocação. Outros termos mais duros foram
falados, em especial, pelo locutor titular da emissora, tal como “brincadeira o
que estão fazendo com o Vasco”, “gestão terrível”, “gestão desastrosa”
(obviamente, se referindo à atual gestão vascaína)… Ou seja: para nós que
acompanhamos ao Vasco de perto, inclusive nos bastidores da política, nenhuma
novidade…


Eis
que, então, volta-se à tona o assunto rebaixamento, aliás, bi-rebaixamento do
Vasco na gestão Roberto, assim levantado sob as palavras de “dois rebaixamentos”
por Penido. Iniciou-se a “bulha”, então, com Eraldo Leite de forma convicta
combatendo à essa colocação. Segundo as palavras de Eraldo, “o time do Vasco de
2008 cairia de qualquer jeito”, “era só observar quem estava lá e o que foi
deixado como herança” (aquele velho papo da “herança maldita”, que para mim e
utilizando as palavras de Felipe Cardoso, “isso é uma chatice!”), “Roberto
pegou uma canoa furada” etc. Do outro lado, Penido em tom muito mais brando
combatia a essas colocações: segundo as palavras do locutor, “não era bem assim”,
“o Vasco caiu em 2008 porque Roberto saiu mudando tudo no meio do caminho”, “eles
(Roberto e MUV) sabiam o que estavam pegando e ainda tinham seis meses de
campeonato brasileiro, com o Vasco estando na nona colocação” etc. Fiquei
acompanhando à discussão, já com o carro desligado e com minha hora quase
estourando, mas não pude deixar de ouvir até o seu cessar, com TODOS os demais
membros da equipe calados, Rafael Marques (ÚNICO vascaíno presente), inclusive.

Não foi
de ontem que sabemos que Penido, de forma velada bem como tantos outros
jornalistas vascaínos da crônica esportiva, possui um apreço pelo ex-Presidente
Eurico Miranda, apesar de ser ele, jornalista, torcedor tricolor declarado;
assim como não foi de ontem que soube sobre a aversão de Eraldo Leite, hoje
Presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio de Janeiro, pelo
ex-Presidente e por motivos óbvios que levam ele e a tantos outros repudiar
certas atitudes que Eurico tomou em resposta a certas colocações da mídia
esportiva com relação ao Vasco e a ele, próprio, enquanto Presidente do clube.

Mas
se teve uma coisa que ficou MUITO claro, pelo menos para mim, é o quanto boa
parte da mídia ainda tenta jogar na conta do ex-Presidente aquela primeira
queda. Fico imaginando: e se o Vasco fosse campeão brasileiro naquele ano com
as mudanças que Roberto e MUV promoveram no balneário: o mérito seria, também,
de Eurico? Evidentemente que não! Para o bom entendedor se recordar: Roberto e
seus parceiros políticos tiveram o apoio da parte majoritária da mídia, em
especial, da respectiva emissora. Quem assumiu o poder estava ao lado de
pessoas, como Sr. Olavo Monteiro de Carvalho, que prometeu uma “fila de
investidores”, mas que em menos de quinze dias ao poder, já estava desiludindo
a torcida, ao afirmarem na época que “o Vasco não estava em condições de
realizar grandes contratações”; dentre outras atitudes mais como desestruturar
todo um ambiente montado, demitir funcionários em massa e denegrir a autoestima
dos jogadores após entrevistas desastrosas de Roberto, Neca e companhia, sendo
a mais emblemática de todas a que Roberto disse: “já joguei em times mais
fracos do que esse!”.


Confesso-lhes
que já fui iludido com o discurso da imprensa de que a culpa do rebaixamento de
2008 foi por conta de Eurico Miranda, mas como diz meus “gurus” que me dão a “voz
da sabedoria”: “o tempo é o senhor da razão”. Naquele ano, Eurico deixou o
Vasco com sérios problemas, mas TODOS (somente aos que não querem enxergar) são
unânimes ao afirmarem que, hoje, o Vasco está em condições MUITO PIOR.
Obviamente, grande parte da mídia não repercute, afinal, foi ela quem colocou
em nossa cabeça, na minha inclusive, que Roberto era a solução para o Vasco. É
tal como a fala do repórter Cláudio Perrout, em certo vídeo postado no youtube,
que fala a respeito de um especial pela QUEDA (vejam bem, NÃO É por título, é
PELA QUEDA!) do Vasco, em 2008:


"A falta de planejamento que
vigorou durante essa temporada, a troca de treinadores, o improviso…e há
também um outro fator que quase me foge que é também o afastamento do
ex-Presidente Eurico Miranda. É o fim de uma era, o estabelecimento de uma
outra, com a vinda do Presidente Roberto Dinamite, desnecessário dizer que
mudanças para melhor INDEPENDENTE do que aconteça com o Vasco".
 (Cláudio Perrout, repórter do
Sistema Globo de Rádio, em:
"Especial ESPN: os erros fatais em
"Os bastidores da queda do Vasco"
" – disponível em   – minuto 3:54).


Hoje,
o Vasco será repassado ao sucessor de Roberto (pode até ser Eurico, inclusive)
com o patrimônio dilapidado, com o Remo sem ter conquistado UM único título,
com o Vasco a ganhar MUITO MENOS do que seu arquirrival nas vergonhosas cotas
de TV, com a imagem do clube cada vez menos repercutida na mídia e, na grande
parte das repercussões, de forma negativa. E o que é PIOR: NA SEGUNDA DIVISÃO,
o que já justifica a condição de MUITO PIOR situação do que a situação entregue
por Eurico a Roberto!


Em
seus bastidores, um show de POLITICAGEM pura, contas que não conseguem ser
aprovadas e quando as foram foi muito mais por voto político, Conselho
Deliberativo que não consegue se reunir nem mesmo para votar as causas mais
sérias, e o que é mais grave: só vai se reunir, na próxima quarta-feira, para
tentarem através de um “golpe” (palavra de Penido que corroboro plenamente)
prorrogarem o mandato do responsável que consentiu uma lista de sócios colocada
sob júdice. Ou seja: caso prorrogado, será um prêmio à sua própria torpeza
administrativa, o que lhe garantirá não pensar no clube, mas sim, em seus
interesses pessoais, tal como sempre pensou: expor sua imagem por mais alguns
meses, garantindo seu “palanque” para reeleição na ALERJ, de onde é o SEGUNDO
deputado mais faltoso, desde 2010!

Tudo
isso passou por minha cabeça logo após desligar meu autorrádio. Numa fração de
segundos, estava pensando em um tempo disponível, ainda antes de começar mais
uma aula, para escrever sobre todos esses meus sentimentos. Sentimentos de um
iludido um dia, que gritou “Ah, é Dinamite!”; que comemorou um título
vergonhoso de série B tal como se fosse “o resgate” do clube; que acreditou um
dia que Eurico era, mesmo, o ÚNICO culpado pela queda em 2008. Passados alguns
anos e vendo a gestão Roberto, percebi que Roberto também tinha parcela de
culpa pelo primeiro episódio (já escrevi sobre isso, um dia). Passados mais
três desastrosos anos, percebo que Roberto e companhia foram, de fato, OS
ÚNICOS responsáveis, sob minha ótica e dadas as observâncias de valores e
atitudes que levaram ao Vasco sob a gestão MUV à primeira queda.

Em
síntese: “Parabéns” a todos nós, que por anseiar a troca de poderes e ao fim da
dinastia Eurico motivados pela voz da imprensa, em 2008, apoiamos a tudo isso.
Se Eurico é o passado já dado, Roberto é o presente que não convence e que,
envolto às suas vaidades pessoais, comemora (como vimos em vídeo) a possível
prorrogação (mesmo sem merecer) de seu mandato. Nada como um dia após o outro
para “as máscaras caírem”, SEM PENA! Mais uma vez, me curvo aos meus gurus, e
em especial, ao “senhor da razão”, o tempo, que não fala, mas que mostra toda a
verdade! “A verdade prevalecerá”? Para mim, já prevaleceu faz MUITO tempo…

********


Alguns
“toques finais”:


Gostaria
de saber o número da megasena da virada, para viajar para bem longe e esquecer
essa “cachaça” Vasco de vez através da distância! Com a palavra, o jornalista
Eraldo Leite, com a mesma convicção no qual disse que, em 2008, “o Vasco cairia
de qualquer jeito”…


Gostaria,
também, de saber se irá haver (mais um!) acordão com Roberto, para que seus
sócios aderidos em massa votem em novembro e para que, em troca, ele (Roberto,
deputado que “brinca” de ser Presidente do Vasco) tenha seu mandato prorrogado
e garantindo, assim, a exposição de sua imagem até as eleições de outubro, com
o Vasco (mais uma vez!) sendo seu “palanque eleitoral”. Com a palavra, os
candidatos envolvidos e que foram CONTRA o adiamento do pleito eleitoral (os
ÚNICOS, por sinal), Sr. Eurico Miranda e Sr. Roberto Monteiro…

Se
Roberto quiser “por amor ao Vasco” (DE VERDADE!) resgatar um pouco de sua
imagem para conosco, vascaínos feridos por sua vaidade, inércia e inépcia, ele
próprio não aceitaria sua prorrogação de mandato, se afastaria e deixaria a uma
junta interventora comandar todo um recadastramento GERAL necessário dos sócios
e a gerir ao Vasco até dezembro, sendo os próprios os responsáveis pela
transição de poder, para que o novo Presidente assuma em condições um pouco
melhores em janeiro de 2015. Mais uma vez a condicional SE, essa sim, que bate
um bolão…


@crismariottirj 

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