Pela história que não se apaga…quem paga?

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No último dia quinze de maio, completaram-se exatos vinte anos da primeira e única conquista do tricampeonato carioca por parte de nosso clube. Época em que o Vasco como instituição era respeitado. Época de conquistas, o Vasco não era somente um time de futebol profissional. Muito mais do que isso, o Vasco era um celeiro de novos craques, fabricante de grandes valores para o futebol brasileiro e mundial também.

Não foi à toa que aquele time que tanto nos orgulhou era composto por, nada menos, do que SEIS jogadores criados nas divisões de base do clube. Carlos Germano, Pimentel, Cássio, Willian, Yan, Valdir e Jardel, sendo quatro deles (à exceção de Carlos Germano e Cássio) participantes diretos da única conquista da Copa São Paulo de Júniores, dois anos antes. Leandro Ávila era outro jogador meio criado em São Januário, pois já chegou direto para os júniores e, depois, alçado na equipe profissional por Joel Santana, quando nomeado técnico do Vasco ao final do certame brasileiro, em que Régis (goleiro que “entregou o ouro” em praticamente todos os jogos daquele quadrangular final, em especial, em dois confrontos diretos perante o Flamengo) não nos deixou experimentar o prazer de decidir aquele título depois de uma primeira fase de campeonato primorosa.

E ainda tínhamos o prazer de ter naquele plantel, ainda, outros tantos criados nas divisões de base do próprio clube. Alex, Sídnei, Bruno Carvalho, Gian, Hernande e Pedro Renato eram jogadores que, corriqueiramente na ausência de um ou outro titular, cumpriam à missão de manter o nível dos titulares. Em tempo: poderia haver um ou outro jogador considerado “refugo”, tal como um ponta-esquerda ex-Guarani que chegou após a conquista e que saiu seis meses depois sem um único gol marcado e sem sequer uma atuação que justificasse sua vinda. Contudo, não a abundância de jogadores descaracterizados com o clube e muitos sem a devida qualidade, a ponto de terem capacidade suficiente para relegar àqueles que deveriam ser tratados como joias a serem lapidadas, tal como outrora, em outros tempos.

Para refletirmos: qual é a diferença entre se ter no time jogadores criados no próprio Vasco em detrimento de muitos que apareceram, contratados por período longo no papel? Muita. A começar pelo próprio histórico de identificação com o clube que investiu em seu desenvolvimento. Passando pela questão financeira, ao pagar menos para quem pode valer bem mais e dar retorno ao clube, fazendo a “máquina girar” e retroalimentar esse retorno financeiro em outras melhorias, como a compra de um CT para a própria base ou, até mesmo, a de um terreno para construção do próprio.

Ao invés disso, no entanto, o Vasco – especificamente, focando somente nos últimos seis anos para deixar a conta “bem barata” – preteriu a quem poderia, de fato, ajudar a salvar o clube. Allan Kardec, por exemplo, preterido por Roberto e companhia que preferiram Aloísio Chulapa, hoje é tratado a pesou de ouro e faz parte da lista de suplentes a uma vaga entre os vinte e três relacionados à Copa do Mundo. Phillipe Coutinho, outro negociado ainda adolescente pela ex-gestão, também vale bem mais do que os dez milhões de reais conseguidos, e poderia estar perfeitamente nessa relação.

Não à toa jogadores como Mosquito, Índio, Foguete, Cícero (os quatro ainda sem sequer atuarem pelos profissionais) e, recentemente, Marlone deixaram o clube, provavelmente, seduzidos por oportunidades bem melhores. Danilo – volante de qualidade técnica bem melhor do que o sempre contestado Fellipe Bastos pelo que já presenciamos – já negociado por um valor muito inferior ao que o clube poderia arrecadar daqui a algum tempo, com mais rodagem.

Ao lado dele, outros que virão a ser negociados em breve, tal como Luan, Henrique e Thalles. E TODOS não para investir em melhorias, mas para pagarem a conta deixada relativa a um verdadeiro ROMBO gerado pelos salários dos jogadores ENCOSTADOS, autores inclusive de uma “greve branca” há exato um ano e que contribuíram para jogarem o Vasco, de novo em cinco anos, na segunda divisão.

Enquanto não houver a volta de uma filosofia de base séria, na qual a formação de jovens e promissores valores seja tratada com prioridade, olharemos para pôsteres tal como segue o do time do tricampeonato e ficaremos com a frustração de um sentimento saudosista, e o pior de tudo: sem maiores esperanças momentâneas de uma reversão desse quadro completamente desfavorável.

 

Sofre Vasco!

Recebi uma mensagem pelo fórum do Vasco no qual participo de um companheiro (no qual irei preservar seu nome) que me autorizou a postar seu conteúdo. Reproduzirei abaixo, na íntegra, seu conteúdo, para ser lido e refletido, preservando inclusive o nome do jogador do Vasco citado. Seria esse o motivo principal no qual Carlos Alberto em 2010, por exemplo, passou muito mais tempo no Departamento Médico do que em campo? Não há dúvidas de que, sendo verdade (e eu creio que seja mesmo), é um dos motivos que leva ao desinteresse de empresários em manter seus atletas agenciados no clube, seja ele de base ou do profissional.

“Conversei com uma das pessoas diretamente ligada a um jogador do atual elenco do Vasco, que é amigo meu, e me assustou o que ele falou. Respeitosamente disse que o refeitório dos jogadores é horrível, o lugar está todo enferrujado em suas escadarias, que os jogadores odeiam comer por ali, a estrutura não tem o mínimo de acolhimento. Falou ainda que o jogador morre de medo de machucar sério, que o que passou no DM é uma lástima, se não partir do jogador, não existe recuperação. Que o jogador ficou muito assustado com a falta de estrutura e acompanhamento do DM. Falou ainda que o Kléber já estava fechado, mas não quis se recuperar dentro do VASCO de suas lesões, pois temia não voltar a jogar futebol, em conversa com outros jogadores. Perguntei se ele viria, ele disse que provavelmente não. Não pela instituição com certeza, mas teme a estrutura e não quer vir. O que concordo 100% com ele. Refleti, e as vezes o que chamamos de chinelinho, a culpa está mais no clube que no jogador. Sofre Vasco! De que adianta ter estádio se a estrutura não oferece o mínimo? Sofre Vasco!”

Notícias da côrte

Por motivos pessoais e profissionais, na última semana não encontrei espaço de tempo para escrever meu texto semanal. Contudo e não distante do noticiário vascaíno, soube pela “rádio Vascorredor” que Fernando Horta virá, mesmo, como candidato presidenciável ao Vasco. Não sei com qual projeto ou apoiado por qual grupo, mas que viria, tal como o mesmo depois deixou a entender em mais uma de suas entrevistas a uma revista digital que transita pelas redes sociais, na Internet.

Através de um programa promovido por sócios do Vasco transmitido nas noites de domingo (e no qual já participei em sua estreia como convidado), soube que a recém-formada chapa “É Vasco”, formado pelos grupos Cruzada Vascaína e Pró-Vasco, considerou ou considera a possibilidade de lançar um candidato ligado à situação como nome para a Presidência do clube, nos próximos três anos. O que seria, para mim, de extremo desagrado, inclusive àqueles que ainda têm esperanças pelo surgimento de um nome forte que lidere um grupo de pessoas que esteja, realmente, com pensamento em resgatar as melhores épocas do Vasco, com capacidade de fazerem os projetos acontecerem, dentro do clube, e sem a mesma desordem administrativa, em especial, dos últimos seis anos.

Por todos esses fatores que, durante um minidebate estabelecido com um dos candidatos recém-lançados à Presidência (por sinal, um dos que deram apoio à diretoria que levou o Vasco à segunda divisão em seis anos à frente da nau) por uma das redes sociais, lhe afirmei com educação que não votaria em nenhum dos quatro candidatos que assim se lançaram, até então, e completando agora, nem em Fernando Horta dependendo do grupo em que venha lhe apoiando ou do que venha a apresentar como projeto, se é que apresentará algum na hipótese de concorrer crendo unicamente em seu próprio nome.

Ainda tal como explanei para a mesma pessoa no qual conversei, todo e qualquer “ceticismo presunçoso” (tal como me sugeriu em uma citação) é plenamente justificável perante o contexto que o gerou. Assim como é justificável todo afastamento de algumas pessoas desse processo, mesmo àquelas que anseiam por um Vasco melhor mas que não suportam tanta  bagunça, para não escrever outro termo. Há de ser MUITO FORTE, mesmo, para aguentar às denúncias de suposto “mensalão” por parte de alguns candidatos, à volta da marca às páginas policiais por conta disso, a procrastinação da definição da data do processo eleitoral e, o pior: com o agravo de se não definir tantos assuntos que são de interesse do clube acima de tudo, que deveriam ser tratados pela diretoria futura.

Como saldo final, fica a indefinição se teremos nova vacância de poder e a certeza de que não haverá, tal como em 2008 e 2011, uma “janela de tempo” necessária para a transição adequada. Esticar o mandato do atual Presidente Roberto até novembro, para mim no contexto desenhado e opondo-me ao que pensei quando, em 2011, havia todo um clima mais favorável e não fora feito, chega a ser um descompromisso com a instituição, que afora um caso de intervenção ficaria até lá capitaneada por pessoas no qual “já deram” no clube.

Parafraseando, então, meu companheiro do fórum outrora citado por mim: “Sofre Vasco!”…

Não só pelo campo

Em entrevista promovida pelo programa “A voz do vascaíno” nesse último domingo, o Presidenciável Roberto Monteiro afirmou ser contra pedir um impeachment do Presidente só por causa do resultado em campo. Apenas para constar uma opinião de minha parte: não “só” pelo resultado em campo e pelo não zelo às tradições do clube tal como reza o estatuto. É pelo resultado em campo e fora dele. Pela repercussão negativa de uma marca nos últimos anos, pelas contas não recomendadas para aprovação por três anos seguidos pelo Conselho Fiscal, pelo patrimônio mal conservado do clube, por todo o dinheiro perdido ou que o Vasco deixou de arrecadar e por tudo que não funciona no clube, a começar pelo Conselho Deliberativo no qual o referido candidato é Vice-Presidente.

“Toques finais”

1º) Impressionante como a CBF logo se preocupou com a segurança pública do estado de Pernambuco e, prontamente, remarcou a partida entre Náutico vs Vasco. De certa forma, assumiu sua mea-culpa quando na barbárie promovida em virtude da falta de segurança na Arena Joinville do ano passado. Mas no fim, e por culpa de sua própria resignação mesmo que na posição de vítima, o Vasco foi quem virou um dos réus e quem acabou pagando por mais essa.

2º) Frase do Dr. Luciano Pereira, advogado vascaíno membro do fórum: “enquanto o STJD for um apêndice da CBF e não da própria Justiça, não haverá credibilidade”. Senão, o que dizer de um tribunal cujo julgador parece tomar para si a defesa de um jogador, ainda se declarando torcedor do Flamengo, tal como aconteceu durante o julgamento do goleiro Felipe?  E se fosse o Martín Silva que o dissesse, a atitude de absolve-lo seria a mesma?

3º) Sobre isso, mais uma para refletir: jogo entre Santa Cruz vs Paraná Clube, no estádio do Arruda, teve direito a vasos sanitários arremessados, o que provocou a morte de um torcedor. Pena imposta: DOIS JOGOS de perda de mando de campo. Daí, a pergunta: é sério isso?

4º) Recebi um telefonema na sexta-feira à noite sobre uma suposta pesquisa promovida por um suposto instituto de pesquisas querendo saber minha opinião sobre as eleições do Vasco. Por sorte minha e azar de quem me ligou, estava exercendo minha profissão e não pude lhe responder a nada. Se a tal pessoa conhece ao presente sítio no qual tenho o prazer de escrever, por favor, poupe seu tempo e leia não somente esse, mas meus textos anteriores, e tire suas conclusões.

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