Consciência e discernimento

Realmente, não faço ideia de quão intensidade os imponderáveis que poderão vir (ou não) pelo caminho agirão (ou não) como obstáculos durante essa terceira (e desejo que seja a ÚLTIMA) trajetória do Vasco durante a série B / 2016. 

Imponderáveis esses: perda de atletas (seja por contusão, por suspensão ou por transferência) e arbitragens, em especial.

Sobre o primeiro imponderável citado, digo-lhes que o grupo precisa de mais (e jovens) opções para rotação de plantel, em níveis (óbvio) abaixo de Nenê e Andrezinho (mesmo porque, difícil hoje no futebol brasileiro e latino-americano se achar atletas que combinem juventude – boa qualidade e preço acessível num "pacote" só) e acima dos imaturos Matheus Vital e Evander que, ainda, afloram da base mas que podem, sem dúvida, ainda se desenvolverem como jogadores. Um ou dois volantes e em igual número para atacantes também são necessários: o Vasco perdeu (ao que parece) Riascos hoje, de volta para o Cruzeiro. MUITO LONGE da ideia de que Riascos seja o atacante-suprassumo de que tanto precisaríamos: o problema é quem será seu substituto, se não for buscar um fora do atual plantel. Leandrão (recém retornado do Boavista) e Thalles (a eterna promessa) não inspiram confiança. Se podem servir como SOS para a série B (ou nem pra isso), o mesmo não podemos dizer sobre a Copa do Brasil que, segundo nosso Presidente diz e eu concordo, é nossa real série A em 2016.Penso que com tais jogadores "pincelados" (palavra, mais uma vez, empregada por nosso Presidente), resolvemos essa questão e teremos um grupo, ainda, mais forte do que já temos, desconsiderando eventuais saídas em meio às janelas de transferência que, aliás, é um problema (ou não) para todos os clubes, e não somente para o Vasco.

Quanto ao segundo imponderável, é notório que o nível de arbitragens da série B – assim como o da grande maioria de seus times – é mais fraco do que o da série A. Não por acaso vimos durante duas oportunidades nos últimos dois jogos (CRB – time da série C e Sampaio Correia) fora de casa: jogadores do Vasco sendo "caçados" em campo, marcados duramente em cima, muitas vezes com faltas sob os auspícios de brutalidade e com a complacência da arbitragem. Isso não é novidade para quem acompanha como são os jogos da série B para níveis mais abaixo, portanto, é preciso de ter um grupo qualificado tecnicamente ao ponto de transpor mais essa barreira, em especial, para as grandes marcas que por lá passam. E não podemos negar: esse tal grupo qualificado TEMOS HOJE!

Não posso ser leviano de lhes afirmar que, a cada jogo, o Vasco produzirá resultados expressivos tal como produzido em sua estreia no último sábado, resultado esse que, aliás, em termos de impostação de respeito, para nós, foi muito importante, pois já demonstra desde já para todos os concorrentes que somos, de fato, o time a ser batido, e que os demais hão de brigar por três vagas e da segunda posição para baixo, pois em condições normais de momento, o Vasco sobra MUITO nesse certame: tanto em grupo de jogadores quanto em marca.

Mas posso, sem receio, afirmar que vejo esse grupo do Vasco amadurecido e suficientemente consciente de si próprio, de seus adversários e dos imponderáveis que, como escrevi, poderão ou não  estarem presentes em nosso caminho. Amadurecido pelo sofrimento, conscientes de seu melhor nível técnico em conjunto, do projeto como um todo e da necessidade do Vasco voltar em grande estilo à série A, em 2017. Não sob vaias adquiridas por um grupo que estava nem aí para a marca em 2014, e sim, sob aplausos de quem, ao meio da turbulência, "abraçou" a causa e "comprou" a ideia de respeito pela giganteza da instituição, com uma apaixonada torcida merecedora de um retorno ao nível de Vasco a lhes dar todo apoio necessário para que esse pesadelo, pela terceira vez e nessa de forma mais rápida, possa se encerrar de uma vez por todas.

Sendo bem sincero, considero como os dois imponderáveis citados outrora nossos maiores adversários, sem falsa modéstia. E creio que estejamos no rumo correto, pois a partir do momento que comprovo o reconhecimento do trabalho que o departamento de futebol do Vasco vem desenvolvendo desde janeiro desse ano por parte de comentaristas e colunistas antes céticos e rotuladores desse grupo como "elenco de veteranos", constato que alguma lição pode ter se aprendido com relação, em especial, à segunda metade do ano passado. Mesmo que os responsáveis pelo desastre que se abateu entre maio e setembro, em especial, do último ano, remanescentes na não se queiram admitir em público…

Trato, portanto em condições normais, nossa trajetória desse ano como uma longa jornada de trinta e oito treinos oficiais (já fazendo uma analogia com o automobilismo) antes do Vasco voltar ao lugar que, pela terceira vez em sua história, saiu, mais que JAMAIS deveria ter ocorrido, nem somente uma vez!

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Algumas considerações se fazem necessárias. Há de se discernir diretoria e departamento de futebol. A diretoria é merecedora de toda e qualquer crítica por ter nos levado a uma situação em que se permitisse um quadro quase irreversível de queda para a série B, em 2015 (ano passado) e que, ainda assim, se ficamos a mercê das arbitragens que, de fato, nos prejudicaram MUITO no último certame da elite, isso só ocorreu porque, antes, chegamos a uma posição de total calamidade provocada por más decisões, em especial, entre maio e setembro, período do PIOR VEXAME de toda a história do clube em campeonatos brasileiros.

Quanto ao departamento de futebol, em especial comissão técnica e grupo de jogadores, listo de forma objetiva cinco motivos pelos quais o torcedor do Vasco deve apoiar essa causa, considerando antes que o ser humano, em geral, é melhor movido e incentivado através de elogios e reconhecimento pelo seu esforço, dedicação e trabalho:

1 – Temos um time BI-CAMPEÃO, de forma INVICTA pela SEXTA VEZ em sua história, que não perde há mais de SEIS MESES e há VINTE E SETE JOGOS;

2 – Temos um grupo COMPROMETIDO que, ao contrário do nojo demonstrado pelo grupo de 2014, compreendeu o a dimensão do Vasco e o quão é desperdício essa marca na série B;

3 – É com esse grupo de jogadores que vamos até o final, portanto, é totalmente incoerente e repugnante se criticar um grupo que realiza um belo trabalho faz tempo;

4 – É DIGNO da natureza humana saber se criticar e se reconhecer o bom nas horas certas, mesmo que esse bom momento seja ao meio de mais uma série B (lembrando que os números percentuais de aproveitamento desse grupo formado por Jorginho e Zinho não nos levariam à série B). Os mesmos que foram merecedores de severas crtíticas em 02 de setembro do ano passado, hoje por questão de JUSTIÇA, são DIGNOS de reconhecimento e de elogios por saberem ressurgir ao meio de um cenário tão horrível simbolizado pelo ápice dos 6 vs 0;

5 – SOMOS VASCO ACIMA DE TUDO! E a essa última colocação, todo o desprovimento de vícios políticos, sentimentos de ódio ou de amor por dirigentes do passado e do presente por parte de cada um de nós. E, ainda, sem o pensamento de querer se torcer para que uma determinada situação dê errado ou certo para que se tenha razão, em detrimento de se sentir aliviado por mais uma etapa do resgate cumprida com êxito.

@mscmariotti

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About the Author

Cristiano Mariotti
Cristiano Mariotti
Mestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adoto São Januário como meu segundo lar e levo a cruz-de-malta em meu peito desde que eu nasci.